Sábado, Agosto 15, 2009

Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows


É nas circunstâncias de decadência e depressão que os fenómenos mais estranhos abundam , talvez porque, para além da óbvia sobejice da sobrevivência, existe uma estratégia necessária de encontrar saídas ou soluções... o que pode levar a questionar as rotinas instituidas e os hábitos automáticos, estimulando a imaginação, de onde saem os mais vastos espectáculos de variedades: excessos inconsequentes na tentativa de esgotar o espectro das sensações; fugas; massacres; rezas; suicídios; antevisões e pré-vivências da morte.....

É neste contexto fúnebre que encontro Anna Varney Cantodea, criadora alemã que deu origem ao projecto Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows, e que inseparável da tristeza e do sarcasmo, conta a sua relação de deslumbramento mórbido, metaforizando-a em ínumeras histórias fantasiosas e rebuscadas, onde personagens aleijadas e disformes são o espelho das misérias da natureza humana.

Depois, é um corpo indesejado e um cérebro insatisfeito que rosna indefinidamente o que propicia a convivência de valências irreconciliáveis num só ser-humano. Contudo, esta convivência, da qual conhecemos a decadência, vai cuspindo arte enquanto escarnece da sua própria condição.


Tentativa de Sistematização

Instrumentos e sonoridade:
A música renascentista e barroca de Anna-Varney é emocional e largamente considerada melancólica, usando diferentes instrumentos de sopro, quartetos de cordas, violinos, órgãos de tubos, sinos, guitarras e por vezes sintetizadores, caixas de ritmos ou instrumentos de percussão. Consoante o álbum é notória a predominância de determinados grupos de instrumentos.
A sonoridade distinta de cada álbum permite a reunião de muitos estilos como o já mencionado renascentista e barroco mas também eletrónico, medieval, gótico, vanguardista e até intercultural.

Temáticas:
Anna-Varney clarificou, de forma ostensiva, que a música que cria é sobre si. Os temas incluem primariamente a morte, o suicídio, o amor não recíproco, a dor por karma, a solidão, a tristeza, angústia existencial alternando com uma perspectiva niilista externa e espiritual. Outros assuntos com menor destaque são as referências astrológicas, os sonhos, as figuras mitológicas e os espíritos.
Um tema recorrente e de grande importância é o aparente transsexualismo de Anna e a ideia de ser ou vir a ser uma mulher, incluindo a remoção da genitália masculina visando a obtenção da variante feminina.

Género Musical:
Quando questionada a propósito do género musical das suas composições Anna esclarece que não segue nenhum estilo específico de música diz simplesmente que cria “música para crianças morta, por conseguinte almas feridas”. Apesar deste ponto de vista, muitos apreciadores consideram Sopor Aeternus um projecto darkwave único.



Sopor Aeternus - Sono Eterno.
A morte é um lençol de linho que cobre as feridas, em envolvimentos suaves “interrompendo a consciência”. Enfim, é a única verdadeira “banha da cobra” que realmente cura todos os males...

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Conversas Imaginadas



- És um desgosto filha!
- Agora já não dizes isso, pois não?
- São águas passadas pra quê remexer no passado?
- Por razão nenhuma até pq o presente silencioso me dá mais tranquilidade.
- E vives tranquila?
- Pois acho que não, embrulho-me em mim mesma e acho q nunca aprendi a não ser um desgosto.
- Não, mas não és, já não digo isso, a pessoa adapta-se a tanta coisa, estou na fase final da vida e só quero que as coisas te corram bem.
-Eu sei que já não o dizes, mas agora é que era verdade.

Sexta-feira, Junho 13, 2008

PJ Harvey - Big Exit

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Tu, és um homem com cara de mundo, daqueles que persigo involutariamente. Sabes, preciso reconciliar-me com a vida dos homens, que eu desacredito e desfaço em dúvidas. Dúvidas vertiginosas como as do céptico, que abarcam tudo, sem escapar uma excepção, mesmo que pequena e mais rápida que um olho fechado. Não há olhos fechados. Há um exército de gerações, com testamentos para os que hão de vir, tudo em prol da justiça do raciocínio, do escrutínio do raciocínio, que age com elegância e exactidão pisando a dor, primeiro devagar, depois com mais força, depois adocicando com terapêuticas revitalizadoras para voltar ao inicio do ciclo. Ninguém se julgue livre! Ninguém está livre disto! Não vale a pena colarem aos olhos jornais de pessoas bem sucedidas, não vale a pena queimarem os perdidos que eram da vossa casa, não vale a pena contar os dias que faltam para morrer e programar tudo até lá para impedir um desvio!!!Não vale a pena !!!!
Nem há que ter medo pois então nem todos nós passamos por isso, depende da fraqueza de cada um
concerteza que o sr homem com cara de mundo se sairia com destreza deste hipotético contratempo, usando as suas técnicas altamente eficazes e infalíveis, infalíveis porque...porque..
têm funcionado
Ora não é o raciocínio que diz que por ter sido assim até agora , não é garantido que assim continue??
mas eu não tenho predisposição para isso
ou seja, nunca o colocaram numa situação, privado, potencialmente para sempre, de tudo o que lhe oferece tranquilidade, pois não?
mas há outra pessoas que se perdem e nem passam por isso!
Conhece-as sr? de perto sr? é que elas dizem que o sr homem com cara de mundo foge, fecha os olhos , distrai-se para não as ver.

Então fico sem nada, menos que isso, tenho um vácuo em pressão negativa que suga a vida dos outros. Pois tu, homem com cara de mundo, pensei que pudesses ajudar, nesta gravidez de morte poderíamos fabricar uma pessoa à vontade dos teus desígnios. Afinal a máquina está perfeita, só precisa de um cérebro novo reparador.
Sabe, de facto se a sua máquina está perfeita, podemos oferecer-lhe um honoroso cargo nas experimentações como cobaia humana de primeira classe, ou ainda mais belo, mais épico e gratificante, que tal se do seu juizo enfermo retirássemos os órgãos funcionantes e os usássemos para dar a outras vidas?
Sim sim, gosto da ideia, libertam-me do meu sofrimento mental e usam os meus órgãos em quem precise, mas... só uma coisa... o que acontecerá aos meus companheiros de infortúnio, há algum lugar na humanidade pra eles ?
Há, pode dar-lhes o número aqui da Clínica das Optimizações Assertivas. ora aponte.

Segunda-feira, Abril 28, 2008

Blowin' in the wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

Bob Dylan

Domingo, Abril 13, 2008

Deine Lakaien - Into My Arms .... e Where you are, live (nas opções do menu)

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Ando às voltas com o tempo para enganar a memória.
A memória tem momentos contaminados de configurações negativas das quais consigo descortinar o que correu mal durante alguns segundos, para me esquecer logo a seguir.

Mas quero lá eu saber da memória, por que raio é que sendo passado me infecta os dias presentes e futuros?

Porque há o mecanismo de aprendizagem evoluidíssimo, próprio do humano, pronto a relembrar-me o que evitar e o que repetir para uma frutífera carreira no mundo dos bem afortunados....E que no meu caso funciona na perfeição mas só serve para estragar tudo . Isto sucede porque a imaginação tem limites, e se um individuo reconhece as suas opções futuras como repetidas pelo próprio e associadas a situações negativas vê-se sem muitas opções ficando em modo ping pong entre as diferentes e estafadas manobras mal sucedidas.

Tudo isto para contar que antes vivia mais à tarde, depois passou a ser à noite e agora é de manhã...
a: