Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows
É nas circunstâncias de decadência e depressão que os fenómenos mais estranhos abundam , talvez porque, para além da óbvia sobejice da sobrevivência, existe uma estratégia necessária de encontrar saídas ou soluções... o que pode levar a questionar as rotinas instituidas e os hábitos automáticos, estimulando a imaginação, de onde saem os mais vastos espectáculos de variedades: excessos inconsequentes na tentativa de esgotar o espectro das sensações; fugas; massacres; rezas; suicídios; antevisões e pré-vivências da morte.....
É neste contexto fúnebre que encontro Anna Varney Cantodea, criadora alemã que deu origem ao projecto Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows, e que inseparável da tristeza e do sarcasmo, conta a sua relação de deslumbramento mórbido, metaforizando-a em ínumeras histórias fantasiosas e rebuscadas, onde personagens aleijadas e disformes são o espelho das misérias da natureza humana.
Depois, é um corpo indesejado e um cérebro insatisfeito que rosna indefinidamente o que propicia a convivência de valências irreconciliáveis num só ser-humano. Contudo, esta convivência, da qual conhecemos a decadência, vai cuspindo arte enquanto escarnece da sua própria condição.
Tentativa de Sistematização
Instrumentos e sonoridade:
A música renascentista e barroca de Anna-Varney é emocional e largamente considerada melancólica, usando diferentes instrumentos de sopro, quartetos de cordas, violinos, órgãos de tubos, sinos, guitarras e por vezes sintetizadores, caixas de ritmos ou instrumentos de percussão. Consoante o álbum é notória a predominância de determinados grupos de instrumentos.
A sonoridade distinta de cada álbum permite a reunião de muitos estilos como o já mencionado renascentista e barroco mas também eletrónico, medieval, gótico, vanguardista e até intercultural.
Instrumentos e sonoridade:
A música renascentista e barroca de Anna-Varney é emocional e largamente considerada melancólica, usando diferentes instrumentos de sopro, quartetos de cordas, violinos, órgãos de tubos, sinos, guitarras e por vezes sintetizadores, caixas de ritmos ou instrumentos de percussão. Consoante o álbum é notória a predominância de determinados grupos de instrumentos.
A sonoridade distinta de cada álbum permite a reunião de muitos estilos como o já mencionado renascentista e barroco mas também eletrónico, medieval, gótico, vanguardista e até intercultural.
Temáticas:
Anna-Varney clarificou, de forma ostensiva, que a música que cria é sobre si. Os temas incluem primariamente a morte, o suicídio, o amor não recíproco, a dor por karma, a solidão, a tristeza, angústia existencial alternando com uma perspectiva niilista externa e espiritual. Outros assuntos com menor destaque são as referências astrológicas, os sonhos, as figuras mitológicas e os espíritos.
Um tema recorrente e de grande importância é o aparente transsexualismo de Anna e a ideia de ser ou vir a ser uma mulher, incluindo a remoção da genitália masculina visando a obtenção da variante feminina.
Anna-Varney clarificou, de forma ostensiva, que a música que cria é sobre si. Os temas incluem primariamente a morte, o suicídio, o amor não recíproco, a dor por karma, a solidão, a tristeza, angústia existencial alternando com uma perspectiva niilista externa e espiritual. Outros assuntos com menor destaque são as referências astrológicas, os sonhos, as figuras mitológicas e os espíritos.
Um tema recorrente e de grande importância é o aparente transsexualismo de Anna e a ideia de ser ou vir a ser uma mulher, incluindo a remoção da genitália masculina visando a obtenção da variante feminina.
Género Musical:
Quando questionada a propósito do género musical das suas composições Anna esclarece que não segue nenhum estilo específico de música diz simplesmente que cria “música para crianças morta, por conseguinte almas feridas”. Apesar deste ponto de vista, muitos apreciadores consideram Sopor Aeternus um projecto darkwave único.
Sopor Aeternus - Sono Eterno.
A morte é um lençol de linho que cobre as feridas, em envolvimentos suaves “interrompendo a consciência”. Enfim, é a única verdadeira “banha da cobra” que realmente cura todos os males...
A morte é um lençol de linho que cobre as feridas, em envolvimentos suaves “interrompendo a consciência”. Enfim, é a única verdadeira “banha da cobra” que realmente cura todos os males...




